As Origens da Gastronomia Alentejana

Origins of Gastronomy AlentejoA gastronomia alentejana justifica, por si só, uma viagem pela grande província do Sul. Antes de procurar uma lista de restaurantes e hotéis pelo Alentejo, saiba um pouco mais sobre as características que distinguem a gastronomia do Alentejo da do resto do país:

Escassez

Os indícios históricos e arqueológicos sugerem que, ao tempo dos romanos e dos muçulmanos, o Sul de Portugal era naturalmente mais fértil que ao longo dos séculos mais recentes. Tal terá contribuído para as relativas dificuldades na sua ocupação e habitação, que persistiram até à atualidade. Em todo o caso, os alentejanos aprenderam a reaproveitar as sobras, a tirar o melhor partido das ervas aromáticas e com isso a criar traços gastronómicos distintos do resto do país. As diferentes variedades de açorda relembram esta dura história.

Influência islâmica

Os especialistas consideram que, além das necessidades práticas, a açorda remonta à presença dos muçulmanos, que habitaram a região durante cerca de 500 anos. O ensopado de borrego (relembrando a proibição islâmica do porco) será uma das principais heranças que ainda hoje aproximam o Alentejo do Norte de África muçulmano. As migas, o escabeche de peixe, as sopas de beldroegas e de cardos, a couve recheada ou o cabrito à serrenha são outras das particularidades de influência islâmica que fazem o rio Tejo parecer mais largo que o oceano e o estreito de Gibraltar. O mesmo acontece com a utilização de ervas como o poejo ou o coentro, bem como a doçaria à base de nozes e amêndoas.

Vinhos

Não são de influência islâmica, embora já os romanos reconhecessem o potencial vinícola da região. Até hoje, em algumas cooperativas, produz-se “vinho de talha”, uma inovação tecnológica romana; mas a vitivinicultura na sua forma moderna é uma inovação recente, numa tentativa bem-sucedida de o Alentejo se diversificar e enriquecer a sua produção agrícola. Os vinhos alentejanos já estão completamente a par dos de regiões mais tradicionais, como o Douro, a Bairrada ou o Dão, e qualquer roteiro gastronómico pelo Alentejo terá de incluir, senão uma degustação vínica a rigor, pelo menos a descoberta de novos vinhos.